”Eu tô falando é de atenção que dá colo ao coração
E faz marmanjo chorar
Se faltar um simples sorriso, às vezes, um olhar
Que se vem da pessoa errada, não conta
Amizade é importante, mas o amor escancara a tampa
E o que te faz feliz também provoca dor
A cadência do surdo no coro que se forjou
E aliás, cá pra nós, até o mais desandado
Dá um tempo na função, quando percebe que é amado”

Criolo – Ainda Há Tempo

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Evangelismo peculiar

Primeiro dia de junho. Minha mãe me acorda anunciando que vamos ao centro da cidade comprar meu celular novo, além de outras coisas que ela precisava. Entramos em umas duas lojas e eu não encontrei o modelo que queria, por isso decidi pesquisar mais. Depois de vários traumas com celulares, a gente aprende a ser receosa. Entramos na terceira, uma loja de departamento e fomos atendidas por uma vendedora simpática que, pacientemente, respondeu as minhas dúvidas, enquanto mainha olhava outras coisas, já que, segundo ela ‘’quem entende disso é você’’.

Enquanto eu tentava decidir entre modelos e marcas, se aproxima do balcão uma mulher zangada e insatisfeita com o mau atendimento de outra vendedora. A moça que me atendia abriu seu sorriso e habilidosamente fez dissipar a raiva da cliente. Em tempos onde aprendemos a multiplicar brigas e ódio por aí, encontrar quem seja água fria que apaga o fogo, e não gasolina é sempre um alento.

Minha mãe se aproximou e perguntou se eu já tinha decidido. Respondi que dependia da aprovação dela, já que ela quem ia pagar (vida de estudante). A vendedora simpática sorriu e disse que minha mãe tinha cara de rica, por isso deveria levar o aparelho x que era um pouco melhor.

– Se eu disser meu nome completo aí que você vai acreditar que sou rica mesmo.
– É mesmo? Como é? – perguntou a vendedora
– Gleide Meire Albernaz Vanin.
– Nossa, tá vendo aí? É rica mesmo!
– Sou rica sim, mas minha riqueza tá toda no céu, aqui quase não tem nada. De vez em quando, O Patrão libera alguma coisa.
– Sim, Ele é maravilhoso mesmo!
– Você O conhece?
– Sim! Ele me ajuda em tudo, é muito bom para mim!
– Mas você já abriu seu coração para ele?
– Humm, não…

Nesse momento, minha mãe, com toda sua típica espontaneidade, fingiu que tinha se chateado e respondeu:

– Rapaz, eu já estava decidida a levar o celular, mas eu vou desistir agora, porque você é muito ingrata. Como você pode dizer que Jesus te ajuda em tudo, mas você não quer saber dele? Eu vou embora!
– Não moça! Tem tanta gente pior que eu! Fique aqui mesmo! – respondeu a vendedora surpresa, mas com jogo de cintura e o mesmo bom humor do início.
– Bom argumento! Realmente… Tudo bem, eu compro com você, mas me permita perguntar: por que ainda não? – Minha mãe respondeu também surpresa com a fala da outra.
– Não sei dizer… Minha família toda é cristã, só falta eu.
– Mas você sabe que Deus pensou em você antes da fundação do mundo? – quem conhece minha mãe sabe que essa frase é o bordão dela.
– É mesmo? – A vendedora pareceu pensativa.
– É… Ele pensou em você… Como é seu nome?
– Raquel.
– Ele pensou em você, Raquel. Pensou que você ia ter esses olhos redondos e esse sorriso bonito. Ele te planejou exatamente assim.
– Nossa! Nunca tinha ouvido falar isso.
– E antes da senhora chegar, mainha, ela lidou super bem com uma cliente estressada. Você tem uma característica de Jesus, você é pacificadora. – Eu disse.
– Você é casada, Raquel?
– Sou sim.
– Você já pensou se seu marido antes te dissesse ‘’Raquel, você é maravilhosa, mas não quero me casar com você’’? Você esperaria muito tempo até ele tomar uma decisão?
– Não!
– Então… Não demore mais tanto tempo. Busque Jesus!
– Eu quero, mas às vezes a gente acaba fazendo coisas erradas e sente vergonha.
– Mas não pense nisso, Jesus gosta de pessoas imperfeitas. Se você tentar mudar sozinha, não vai conseguir.  – Respondi, dando minha última contribuição para esse diálogo incrível.
– É verdade…

Finalizamos nossa compra e antes de sair da loja minha mãe diz:
– Promete que não vai se esquecer dessa conversa? Eu vou orar por você!
– Não, não vou esquecer, ore mesmo!

Minha mãe e eu saímos felizes da loja. Gastamos mais do que tínhamos pensado e não fomos ao centro da cidade com esse objetivo, mas experiências como essas dão ânimo, colorem a rotina monótona e nos fazem lembrar que somos luz e sal a qualquer hora e em qualquer lugar.

 

 

 

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KOINONIA - Mesa e Comunhão

*DEVOCIONAL ESPRESSO*
de Zaf Assis ☕
Sl 27:11 na paráfrase “A Mensagem”:
Diga-me qual estrada é a tua, ó Eterno; conduz-me por uma rua bem iluminada;

Querido Deus, sem ti não posso nada; contigo posso fazer tudo. Ajuda-me com tua graça, para que eu não caia; com tua força, para que eu resista com poder aos primeiros indícios do mal, antes que me tomem;
Me ajude, Senhor, a lançar-me de imediato aos teus pés sagrados… e ali permanecer imóvel até que a tempestade seja superada;
E se eu te perder de vista, meu querido Senhor, traga-me de volta a ti, rapidamente. E conceda-me que eu te ame melhor, por amor de sua misericórdia – Amém
Edward Pusey
Conduza-me gentilmente, ó Luz
Em meio à escuridão que me rodeia,
Conduza-me…
A noite é escura e eu estou longe de casa.
Mantém os meus pés firmes no caminho.
Eu não…

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Olhar

Os olhos são espelho da alma, dizem os poetas. Um evangelista bíblico disse que os ‘’olhos são a candeia do corpo, se forem bom, todo o corpo terá luz’’. Através do olhar, também nos comunicamos, passamos uma mensagem ao outro que nos observa. Se a linguagem falada, entretanto, é cheia de mal entendidos, a linguagem do olhar é sutil e carece de sensibilidade para ser compreendida. Há que se fazer uma pequena distinção aqui: olhar e ver, embora sinônimos, são ações diferentes. Ver é uma capacidade fria e biológica, indiferente. Olhar exige um trabalho maior, pois é preciso mudar o foco, olhar o outro e através dele, um exercício diário que demanda dedicação e persistência.

Quem apenas vê, anda pelo superficial e deixa escapar detalhes, pistas que trazem muito consigo. Porém quem olha aprende a contemplar e perceber o imperceptível. Talvez seja isso que Antoine de Saint-Exupéry quis dizer quando nos presenteou com sua frase clássica ‘’só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos’’.

No ônibus #4

Ontem, 17 e pouca da tarde. Estava morrendo de dor de cabeça, então terminei o estágio e só queria ir pra casa. Fui pro terminal norte. Em poucos minutos chegou um ônibus que não é o meu, mas sabia que ele passa onde eu desço. Pensei ‘’já que o meu ônibus ainda não chegou vou nesse mesmo que chego mais rápido em casa’’. Mesmo assim pensei em perguntar ao motorista se ele vai passar lá mesmo, mas acabei não fazendo, pois o ônibus estava lotado e já pronto pra sair. Eu tinha que ser rápida, então, apenas decidi ir.

Quando o ônibus já tinha saído do terminal e eu já estava infiltrada na multidão, minha ficha caiu ‘’Primeiro o ônibus vai para a Matinha e só passa no meu ponto na volta. Eita poxa’’. Não tinha mais o que fazer, então decidi não me estressar. Achei um lugar vazio, sentei e resolvi aproveitar a viagem, apreciando o céu meio azul, meio laranja. Decidi mandar uma mensagem no whatsapp avisando onde estava, mas não tinha sinal.

A paisagem foi mudando, só via mato no caminho. O ônibus estava cada vez mais vazio, houve um momento em que eram apenas eu e mais dois passageiros. Anoiteceu. Lá pelas 18h30 eu ainda estava dentro do ônibus rindo sozinha da minha lerdeza, pensando em alternativas possíveis pra voltar pra casa, caso algo acontecesse e me perguntando o que Deus poderia querer ensinar nessa viagem fora dos planos. Enquanto escrevia essas linhas no bloco de notas do celular para passar o tempo, vislumbrei primeiros sinais urbanos novamente. A BR, vários carros. O sinal do celular voltou. Melhor que nada, mas ainda não sabia onde estava. Uns 5 minutos se passaram, talvez menos, quando o ônibus passou pela UEFS. ‘’Graças a Deus’’, pensei.

Eu que queria ir pra casa mais cedo cheguei mais de 19h da noite e a lição simples e óbvia que ficou foi pegar o primeiro ônibus que passar nem sempre vai te fazer chegar logo aonde você quer. Vale mais a pena ser paciente e esperar uns minutinhos a mais pelo ônibus certo.

(P.S.: essa reflexão é aplicável em outras esferas da vida)

Sintomas #3

Ela está com ele a alguns anos, mas ultimamente tem tido a necessidade de se dedicar mais a relação. Pensa nele o dia inteiro. As mensagens no whatsapp que fazem seu coração disparar envolvem ele. A relação por vezes é sufocante, ela se sente culpada quando não se dedica a ele. Ele exige demais dela. Quando ela pensa que vai acabar, parece tem mais coisas para fazer. Ela conta os dias para que finalmente esteja livre ele. Ao mesmo tempo, sabe a importância e a necessidade dele nesse momento em sua vida. Sabe que com ele, tem o passaporte para findar essa etapa da sua vida e dar novos e maiores passos. Ela tem medo do futuro, muitas vezes boicota a si mesma e ele também. Os sintomas parecem indicar uma relação amorosa, abusiva até. Mas não é amor, é o TCC.