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”Eu preciso de você (algo me faz lembrar, algo me faz querer)
Porque arde
Como um trem desgovernado que parte
Todo dia o mesmo horário, mas não sabe que horas chega
Vem e me salva da solidão”

No ônibus #5

Um senhor entra no ônibus falando alto. Não sabia se ele tava conversando com uma pessoa especifica ou com todos os passageiros. De cara me irritei, mas depois comecei a prestar atenção em sua fala:

– … Quando eu morrer quero ser enterrado em uma caixa de papelão. Caixão chique pra que, depois de morto? Quero aproveitar agora enquanto eu tô vivo, comer um bom prato de comida, passear, ir pro Jorro, tomar uma bebida, namorar… A gente é uma folha (?).

Refletindo sobre essa fala recebo a lição do dia: a gente não precisa de muito pra ser feliz.

Oh simple thing, where have you gone?

Tbt

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Adiei ao máximo a escrita desse texto. Resolvi deixar para a última quinta-feira antes da formatura, para aproveitar o tbt. Particularmente, gosto dessa possibilidade, de ter um dia na semana para relembrar momentos e deixar aflorar a nostalgia e a saudade. Um tbt nessa semana não poderia ser mais oportuno.

Para quem não conhece, essa da foto é a praça do por do sol, lugar tão familiar para quem viveu cinco anos tendo o módulo sete como casa. Faltam dois dias para a tão sonhada formatura e, nesse momento final, resolvi me lembrar do início. A aprovação inesperada no vestibular, o dia da matrícula, onde os veteranos me pintaram toda e eu tava tão feliz que fui pra casa com PSI escrito em minha testa.

Na UEFS eu vivi muita coisa. Coisas que nem sequer imaginava. Descobri que Feira de Santana é mesmo uma cidade minúscula, já tinha cruzado meus caminhos com várias das pessoas incríveis que conheci.  Pude me reaproximar de outras que eu já conhecia a mais de uma década.

Logo no primeiro semestre, a emoção deu lugar à dor, com o adoecimento da minha mãe. E já nesse momento inicial, pude experimentar da empatia, o cuidado, o acolhimento, atitudes que nós passaríamos a ouvir falar muito, frases como ‘’por que você não tá vindo pras aulas? Senti sua falta!’’ e um trabalho que deveria ser feito em dupla, mas que acabou ficando apenas para outra pessoa.

Felizmente esse momento ruim passou. Entramos no segundo semestre. Ahh, 2013.2! Depois da tempestade sempre vem a calmaria, certo? Nesse momento não foi o que aconteceu. Entre novos ritmos e sons, ”sustenidos e bemois”, meu coração resolveu sapatear bastante nesse semestre. Minha vida deu uma bagunçada, denunciando apenas o primeiro passo de um processo que dura até hoje.

Na UEFS aprendi muito mais do que teorias e técnicas psicológicas. Aprendi sobre a vida. Aprendi que toda história sempre tem mais de um lado e sobre o poder de cura existente num abraço, no perdão e numa conversa sincera. A ver a beleza nas coisas simples, como olhares e sorrisos ou até em um por do sol, nas flores enfeitando a copa das árvores e em plaquinhas cheias de poesia coladas nas paredes. A ouvir o outro passando por uma situação parecida com algo que você já viveu e conseguir, de fato, desenvolver a empatia. Aprendi que os erros fazem parte da caminhada. Em meio a tanto aprendizados, cresci e me transformei. Meu cabelo foi a maior prova de todo esse processo interior. Ampliei minhas ideias e recebi uma última lição: ‘’cada porrada marca a maturidade’’.

Cada um que esteve comigo nesses anos contribuiu com uma porção, para que a pessoa que eu era inicialmente se transformasse e não fosse mais a mesma que está se despedindo agora. Por isso, só tenho a agradecer e dizer que guardo esse lugar, esses anos e essas pessoas com carinho em meu coração.

O tempo

É sempre interessante ver a passagem do tempo e as mudanças que ela traz. Acompanhar o crescimento de uma criança, de uma plantinha no quintal, o desenvolvimento de uma cidade, o fim de um amor.

É curioso perceber que no tic e tac do relógio o tempo demora a passar.  As coisas parecem que não mudam muito. Mas depois de um momento mais longo, olhamos para trás e vemos o quanto tudo está diferente.

Às vezes precisamos de algo que nos desperte para as mudanças que o tempo trouxe e que já estavam ali, mas não percebiamos. Abro o Instagram e me deparo com um vídeo seu. Cantando, pra variar. Mas a música não é uma melodia qualquer. Ela rapidamente me teletransporta pra cinco anos atrás, uma lembrança que envolve o começo de nós dois.

Eu que já me acostumei sentir durante tantos anos meu coração amolecer ao te ouvir cantar não tinha percebido que, ja faz um tempo, ele enrijecera. A mudança veio lenta e silenciosa como o ponteiro de um relógio. Tic tac, tic tac e como o passar demorado horas que não voltam, o amor que eu tinha já não existe mais.