Em família #2

(Saindo de casa e indo para a casa da vizinha no fim da rua)

Meu pai: ”Colocou o lixo pra fora?”

Minha mãe: ”Sim, sou eficiente.”

(Enquanto diz isso, ela o abraça e seguem assim ao longo do trajeto).

Eu: ”Uau, que linda essa cena!”

Minha mãe: ”Elas parecem que nunca veem demonstrações de carinho entre nós. Nós nos amamos, Brenda. Somos amigos.”

Eu:  ”Vejo uma a cada 3 mil anos”

Minha mãe: ”A gente nem tem todo esse tempo juntos.”

(Nem sei porque ela ainda responde minha provocação)

Meu pai:  ”É assim, exagerada.”

Eu: ”Me abraça também, tá frio demais.”

Meu pai:  ”Ficou com ciúmes (risos)”

Seguimos assim, os três abraçados, numa daquelas cenas singelas e cheias de significado. No fim das contas, são esses os momentos mais importantes.

Ônibus

Aquele texto dos outros que a gente é apaixonada.

Rascunhos Íntimos

O ônibus estava atrasado. De novo.
Ou eu que tinha atrasado. Não sei ao certo.
O que sabia é que já tinha olhado quatro vezes para o relógio em menos de dez minutos.

Assim que entrei, percebi que alguma coisa tinha realmente acontecido.
Àquela hora nunca tinha encontrado todos os bancos ocupados
O único vago ficava numa poltrona dupla em contramão
A única que ficava de costas para o motorista

Sentei e olhei ao redor
Quase 8 da noite e todos com cara de longo dia de trabalho
Com exceção do moço apaixonado que estava exatamente à minha frente
Estava tão apaixonado que não era capaz de esconder isso
Lançava olhares bobos pela janela, sorria, olhava para o teto, sorria de novo
Aí olhava para o celular e dava o sorriso mais largo até então

Estávamos de frente um para o outro durante todo o caminho
Ainda assim ele não me viu…

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